O braço-direito de Zuckerberg, Andrew “Boz” Bosworth, tem uma nova missão na Meta: fazer a empresa inteira usar inteligência artificial (IA). As tensões vinham crescendo na Meta há semanas, com rumores sobre uma grande rodada de demissões circulando enquanto a companhia investia dezenas de bilhões de dólares em IA. Em seguida, funcionários foram informados de que seus cliques e movimentos de mouse seriam monitorados para ajudar no treinamento de agentes de inteligência artificial capazes de operar computadores. Essa medida gerou críticas de parte dos funcionários, que se preocupam com a coleta de dados e a privacidade. Alguns chegaram a iniciar uma petição pedindo o cancelamento da medida, mas Bosworth não pareceu se importar com as críticas.
A resposta de Bosworth aos funcionários que se preocupam com a privacidade foi direta: ele recomendou que evitassem acessar e-mails pessoais em dispositivos corporativos. Para os que queriam optar por não participar da coleta de dados, a resposta foi clara: não seria possível. Essa postura de Bosworth não é surpreendente, considerando sua personalidade provocativa e estilo de liderança duro, que frequentemente o colocam no centro de controvérsias. No entanto, essa também é uma característica que o torna um escudo para o fundador bilionário da Meta, Mark Zuckerberg. Quando Zuckerberg apostou que o “metaverso” seria o futuro do Facebook, foi Bosworth quem assumiu o comando da iniciativa, que mais tarde foi vista como um projeto caro e malsucedido. Agora, Zuckerberg o escolheu novamente para liderar uma missão delicada: transformar a Meta em uma empresa “AI-first”, focada em inteligência artificial, capaz de competir com startups mais ágeis.
Bosworth abraçou a função com entusiasmo e, em um memorando interno enviado aos funcionários, afirmou que a Meta está caminhando para um modelo no qual agentes de IA farão a maior parte do trabalho. “Nosso papel será direcioná-los, revisar e ajudá-los a melhorar”, escreveu. Ele defende mudanças significativas na empresa, incluindo equipes grandes com poucos gerentes e a substituição de documentos de planejamento por protótipos práticos. Com essa abordagem, Bosworth acredita que a Meta pode se tornar mais eficiente e ágil, capaz de competir com as startups que estão surgindo no mercado. Além disso, ele destacou que já está vendo tarefas que levavam horas passarem a ser feitas em minutos, e que, em breve, talvez nem precisem mais estar envolvidos em algumas delas. Essa visão de um futuro com mais automatização levantou preocupações internas sobre quantos funcionários serão necessários na empresa.
As discussões sobre automatização e o papel dos funcionários na empresa estão gerando muita especulação e ansiedade entre os empregados da Meta. Com a possibilidade de uma grande rodada de demissões, muitos funcionários estão se perguntando se ainda terão um lugar na empresa no futuro. No entanto, Bosworth parece confiante em sua visão para a Meta e em sua capacidade de liderar a empresa nessa transição para uma era de inteligência artificial. Com uma remuneração que pode chegar a quase US$ 1 bilhão caso ajude a elevar o valor de mercado da Meta em 500% nos próximos cinco anos, Bosworth tem um forte incentivo para fazer com que sua missão seja um sucesso. Agora, reste saber se ele conseguirá convencer os funcionários da Meta a se adaptarem a essa nova realidade e se a empresa será capaz de competir com as startups que estão liderando a corrida pela inovação em IA.


