Antes da IA, os data centers eram meros galpões. Agora, são como siderúrgicas. Entenda.
As necessidades de armazenamento e processamento de dados têm aumentado exponencialmente com o advento da Inteligência Artificial (IA). A IA não apenas requer mais espaço para os servidores, mas também necessita de energia para manter a operação contínua, o que tem tornado os data centers em empreendimentos gigantes. Em vez de simplesmente armazenar dados, esses galpões agora são projetados para lidar com o poder computacional necessário para processar e analisar grandes conjuntos de dados. Isso tem levado a uma transformação nos data centers, que agora se assemelham a fábricas de processamento de dados, em vez de simples armazéns de dados.
Quem aluga capacidade em um desses está, na prática, comprando a garantia de que esses servidores vão funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana. Para garantir esse funcionamento ininterrupto, os data centers precisam de uma grande quantidade de energia, que pode variar de acordo com a capacidade da unidade. Além disso, a IA requer mais recursos computacionais, o que significa que os data centers precisam ser projetados para lidar com o aumento na demanda de energia e capacidade processante dos servidores.
Um dos principais data centers em operação no Brasil é o SP1, da Equinix, localizado no centro de São Paulo. O prédio não difere muito de um prédio corporativo convencional, exceto pelas enormes grades de ventilação distribuídas pela fachada. A Equinix é uma gigante americana de data centers que hospeda a infraestrutura digital de outras empresas no Brasil. Sua especialidade não é armazenar dados, mas conectá-los, servindo como pontos de encontro onde bancos, operadoras, provedores de internet e plataformas digitais trocam dados entre si.
O Complexo de Vinhedo, da Ascenty, é outro exemplo de data center desse tipo. Localizado em Vinhedo, na região de Vinhedo (SP), a planta tem 46 mil metros quadrados de área total e comporta 7.300 racks, os armários onde ficam os servidores. Para manter o complexo funcionando sem pifar, a Ascenty construiu uma subestação conectada diretamente à rede da CPFL, concessionária da região. Se a luz pisca, sistemas de nobreak assumem automaticamente a operação, enquanto dezenas de geradores de energia diesel seguem em stand by por alguns minutos.


