Galeão renasce agora com seu maior teste

O Galeão renasceu em uma canetada. E agora o aeroporto passa por seu maior teste. Até 1985, o Galeão era o principal aeroporto do Brasil, o lar da Varig, de onde partiam voos diretos para Roma, Paris, Los Angeles, Tóquio, Joanesburgo, e outros destinos internacionais. Quatro em cada dez passageiros que pisavam em um aeroporto brasileiro passavam por lá. No entanto, com a inauguração do Aeroporto de Guarulhos, em 1985, as companhias aéreas internacionais começaram a deixar o Galeão para trás, levando consigo uma parte significativa do fluxo de passageiros.

O declínio do Galeão foi acentuado ao longo dos anos. Em 2022, o aeroporto havia caído para o sétimo lugar em número de passageiros, operando com apenas 20% de sua capacidade. A concorrência com o Aeroporto Santos Dumont, localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, também contribuiu para a perda de espaço do Galeão. Além disso, a região metropolitana de São Paulo tem um PIB praticamente o dobro do da região metropolitana do Rio de Janeiro, o que fez com que as companhias aéreas priorizassem Guarulhos em detrimento do Galeão. Como resultado, a fatia do mercado de passageiros do Galeão caiu de 40% em 1985 para 8,6% em 2022.

No entanto, o cenário mudou drasticamente. O fluxo de passageiros no Galeão cresceu 133% desde 2022, o que fez com que o aeroporto passasse da sétima para a terceira posição em número de passageiros por ano. Hoje, o Galeão tem um share de 14% do total de passageiros, perdendo apenas para Guarulhos e Congonhas. Parte desse crescimento se deve ao fato de que o aeroporto ganhou uma parte significativa do movimento do Santos Dumont por decreto. Mas o futuro parece promissor para o aeroporto carioca, que ainda opera com mais de 50% de sua capacidade ociosa.

Agora, o Galeão enfrenta seu maior teste. Com a retomada do fluxo de passageiros, o aeroporto precisa demonstrar que é capaz de manter o crescimento e se consolidar como um dos principais aeroportos do Brasil. A concessionária RIOGaleão, que administra o aeroporto, parece ter recuperado as esperanças, mas ainda há desafios a serem superados. O Galeão pode ter renascido em uma canetada, mas seu sucesso a longo prazo dependerá de sua capacidade de se adaptar às mudanças do mercado e atender às necessidades dos passageiros.

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