A Receita Federal e órgãos de fiscalização e investigação de São Paulo deflagraram uma operação contra suspeitas de fraudes tributárias, lavagem de dinheiro e irregularidades no setor de combustíveis. A ação, denominada Operação Fluxo Oculto, marca a segunda fase da Operação Carbono Oculto, iniciada há nove meses, e visa obter evidências de ilícitos, identificar novos participantes do esquema e avançar no desmantelamento de uma organização criminosa atuante no setor de combustíveis. Participam da operação o Ministério Público do Estado de São Paulo, a Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as Polícias Militar e Civil. Os focos desta fase são seis fintechs e um esquema de adulteração de combustíveis com nafta petroquímica.
A operação envolve a execução de 59 mandados de busca e apreensão em pessoas físicas e jurídicas em cinco estados: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Cerca de 135 auditores-fiscais, analistas-tributários e servidores administrativos da Receita Federal, além de servidores dos órgãos parceiros, participam da ação. Após a primeira fase da operação, investigadores identificaram seis fintechs que atuavam como bancos paralelos da organização criminosa. As instituições eram usadas para compensações financeiras internas entre distribuidoras, postos de combustíveis, empresas e fundos de investimento administrados pelo grupo, além do pagamento de colaboradores e de despesas pessoais dos operadores. Entre 2022 e 2025, as seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões.
As investigações identificaram operações suspeitas, incluindo depósitos realizados em espécie, procedimento atípico para instituições de pagamento, e contas abertas em outras instituições do mesmo tipo, gerando dupla camada de ocultação. Entre 2022 e 2024, uma única dessas instituições recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em espécie. O mecanismo central do esquema era o uso de “contas bolsão”, que centralizavam e depois dispersavam recursos, dificultando o rastreamento das operações e a identificação dos beneficiários finais. Até 2025, as instituições de pagamento não tinham a obrigação de informar operações suspeitas à Receita Federal, o que permitiu que o esquema se desenvolvesse sem ser detectado por um longo período.
A operação busca desmontar a estrutura criminosa que atua no setor de combustíveis, responsável por fraudes tributárias, lavagem de dinheiro e adulteração de combustíveis. A ação é um importante passo para combater a corrupção e a criminalidade organizada no Brasil, e demonstra a determinação das autoridades em investigar e punir aqueles que cometem ilícitos. Com a colaboração entre os órgãos de fiscalização e investigação, é possível que a operação obtenha sucesso em sua missão de desmantelar a organização criminosa e trazer os responsáveis à justiça. Além disso, a operação também visa recuperar os recursos desviados e/devolver à sociedade os valores obtidos por meio de atividades ilícitas.


