Cálculo salário líquido: aprenda a calcular o valor real do seu pagamento

Quando a gente combina um valor na carteira e, no dia do pagamento, cai menos na conta, a primeira reação costuma ser: “uai, está errado?”. Na maioria das vezes, não está. O que acontece é que o salário registrado (o bruto) passa por descontos obrigatórios e, às vezes, descontos de benefícios, até virar o valor que realmente entra na sua conta (o líquido).

Este guia é para desmistificar o holerite, você vai entender o que é cada desconto, ver as tabelas atualizadas do INSS e do Imposto de Renda (IRRF) e aprender um passo a passo de cálculo com um exemplo simples. A ideia é que você consiga conferir seu pagamento todo mês com mais segurança, mesmo que não seja fã de matemática.

Atenção rápida: “calculo salario liquido” aqui significa estimativa educativa. Empresas podem ter regras de benefícios, acordos coletivos e descontos específicos que mudam o valor final.

O que é salário líquido e qual a diferença para o bruto

Salário bruto é o valor “cheio” do seu pagamento, aquele que aparece no contrato de trabalho e na carteira, antes de qualquer desconto obrigatório. Já o salário líquido é o valor que realmente cai na sua conta, depois de abatimentos como INSS, Imposto de Renda e outros descontos. Em outras palavras: o bruto é o ponto de partida; o líquido é o resultado final.

Os descontos mais comuns que transformam bruto em líquido são:

  • INSS (previdência);
  • IRRF (imposto de renda retido na fonte, quando aplicável);
  • Vale-Transporte, quando você usa (limitado por lei);
  • outros descontos/benefícios (plano de saúde, adiantamento, sindicato, faltas, etc.).

Se você quer fazer o cálculo do salário líquido de um jeito que realmente funcione no dia a dia, o segredo é seguir sempre a mesma ordem: salário bruto → desconto de INSS → definição da base do IRRF → desconto de IRRF → demais descontos ou benefícios. Essa sequência evita erros e deixa a conta muito mais clara.

Quais são os principais descontos na folha de pagamento

Antes de partir para as tabelas, vale entender a lógica: alguns descontos são obrigatórios por lei (como INSS e, em alguns casos, IRRF). Outros dependem do seu uso (vale-transporte) ou do que você aceitou/tem direito (benefícios e convênios).

O que mais costuma aparecer no holerite de trabalhadores CLT:

  • INSS: contribuição previdenciária (progressiva).
  • IRRF: imposto retido na fonte (só quando a base entra nas faixas tributáveis).
  • Vale-Transporte (VT): pode ser descontado até 6% do salário básico, se você usar o benefício.
  • Benefícios: vale-refeição/alimentação, plano de saúde/odontológico, seguro, etc. (varia por empresa).
  • Faltas e atrasos: desconto proporcional quando não há justificativa.
  • Adiantamento salarial: quando a empresa paga uma parte antes e desconta depois.
  • Contribuição sindical/assistencial: quando prevista em regra específica (varia conforme categoria e acordos).

Agora vamos ao que realmente mais impacta o seu salário líquido: os descontos de INSS e IRRF. São eles que costumam representar a maior diferença entre o valor bruto do contrato e o que efetivamente cai na sua conta todos os meses.

Como calcular o desconto do INSS: tabela e alíquotas

O INSS para quem é CLT (empregado) funciona de forma progressiva. Isso significa que cada faixa do salário tem uma alíquota diferente, e o desconto é calculado por partes: cada “pedaço” do salário é tributado conforme a faixa correspondente, e depois os valores são somados para chegar ao total descontado.

Tabela INSS 2026 (empregado CLT, progressiva)

Faixa do salário de contribuição (R$)Alíquota
até 1.621,007,5%
de 1.621,01 até 2.902,849%
de 2.902,85 até 4.354,2712%
de 4.354,28 até 8.475,5514%

Como fazer na prática (sem complicar): aplique cada alíquota apenas sobre a parte do salário que se encaixa em cada faixa. Ou seja, você calcula por etapas, somando os valores ao final. Isso evita o erro clássico de multiplicar o salário inteiro por uma única alíquota, o que levaria a um desconto maior do que o correto no caso do cálculo progressivo.

Como calcular o imposto de renda (IRRF) no salário

Depois de calcular o INSS, você chega à base de cálculo do IRRF. Simplificando, ela é formada pelo salário bruto menos o valor descontado de INSS e menos algumas deduções permitidas, como dependentes ou pensão alimentícia, quando aplicável. É sobre essa base que o Imposto de Renda será calculado.

Tabela mensal do IRRF (vigente em 2026)

Base de cálculo mensal (R$)AlíquotaParcela a deduzir (R$)
até 2.428,80isento
de 2.428,81 até 2.826,657,5%182,16
de 2.826,66 até 3.751,0515%394,16
de 3.751,06 até 4.664,6822,5%675,49
acima de 4.664,6827,5%908,73

Além disso, a Receita informa a dedução mensal por dependente e o limite do desconto simplificado.

  • Dedução mensal por dependente: R$ 189,59
  • Limite do desconto simplificado (mensal): R$ 607,20

Como funciona a dedução por dependentes (do jeito mais simples)

Se você tem dependentes reconhecidos para o Imposto de Renda, pode abater o valor permitido por dependente da base de cálculo do IRRF antes de aplicar a alíquota. Isso reduz o valor sobre o qual o imposto será calculado, podendo diminuir o desconto mensal.

Na prática, isso quer dizer que mais dependentes dentro das regras legais, podem reduzir o valor do IR descontado todo mês. Em alguns casos, essa dedução pode até manter você dentro da faixa de isenção, dependendo do nível da sua renda e das demais deduções aplicáveis.

Descontos de vale-transporte e benefícios: como funcionam

  • Vale-Transporte (VT): limite de 6%, se você utiliza VT, a regra geral é: a empresa pode descontar até 6% do salário básico do trabalhador para custear o benefício. Se o custo do transporte for maior, a diferença costuma ficar por conta do empregador (dentro das regras do VT). Exemplo rápido: salário básico de R$ 2.000 → desconto máximo de VT = R$ 120.
  • Vale-refeição/vale-alimentação e outros benefícios: Aqui varia bastante. Algumas empresas subsidiam grande parte; outras descontam valores fixos. O importante é: benefício não é “desconto obrigatório padrão”, então você precisa olhar as regras do seu contrato/holerite.
  • Faltas não justificadas: Faltas costumam gerar desconto proporcional (e podem afetar outros itens, dependendo da política da empresa). Se houve falta, isso sozinho já pode explicar por que “caiu menos”.

Passo a passo: exemplo prático de cálculo de salário líquido

Agora vamos ao exemplo prometido, bem pé no chão: Vamos imaginar um salário de R$ 2.000,00:

1) Salário bruto: R$ 2.000,00

2) INSS (progressivo)

  • 7,5% até R$ 1.621,00 → 1.621,00 × 0,075 = R$ 121,58
  • 9% sobre o que passa de 1.621,00 até 2.000,00 → (2.000,00 − 1.621,00) = 379,00 × 0,09 = R$ 34,11

Total INSS: R$ 155,69

3) Base para IRRF (simplificada):
Base ≈ 2.000,00 − 155,69 = R$ 1.844,31

Pela tabela mensal, até R$ 2.428,80 é isento, então nesse exemplo:
IRRF = R$ 0,00

4) Vale-transporte (se você usar)
O VT pode descontar até 6% do salário básico:
2.000,00 × 0,06 = R$ 120,00 (teto do desconto)

5) Resultado do salário líquido (exemplo)

  • Sem VT: 2.000,00 − 155,69 = R$ 1.844,31
  • Com VT no teto: 1.844,31 − 120,00 = R$ 1.724,31

Perceba como, sem nenhum “erro”, o valor já muda bastante só com INSS + VT.

E se você tiver outros descontos (plano de saúde, adiantamento, faltas), o líquido cai mais, por isso o holerite precisa ser lido linha por linha.

Checklist rápido para conferir seu holerite todo mês

Aqui vai um checklist simples e direto ao ponto para você não se perder no meio dos cálculos e evitar erros comuns. Seguir uma sequência organizada facilita a conferência dos valores e ajuda a entender exatamente como o salário líquido é formado.

  • Confira se o salário bruto bate com o combinado (salário-base e adicionais).
  • Veja o INSS e confirme se está na lógica progressiva da tabela.
  • Olhe a base do IRRF e se houve dependentes lançados corretamente.
  • Veja se há VT (e se não passou do limite de 6% do salário básico, quando aplicável).
  • Identifique descontos eventuais: faltas, adiantamento, plano de saúde, sindicato.
  • Compare o líquido com o valor depositado e confirme a data/pagamento.

Dúvidas frequentes: horas extras e férias entram na conta?

Sim, podem entrar e isso muda diretamente o resultado do cálculo do salário líquido naquele mês. Valores variáveis, como horas extras, bônus ou comissões, aumentam a base de cálculo e podem alterar os descontos, impactando o quanto realmente cai na sua conta.

  • Horas extras: aumentam o bruto e, dependendo do valor, podem elevar INSS e até colocar você em faixa de IRRF.
  • Férias: têm regras próprias (inclui 1/3 constitucional), e os descontos também podem variar.

Fechando a conta: por que aprender cálculo salário líquido vale a pena

Entender o calculo salario liquido é uma forma de proteger seu bolso. Não é para “caçar erro” da empresa o tempo todo, é para você saber o que está acontecendo com o seu dinheiro, identificar descontos indevidos quando existirem e planejar melhor o mês.

Quando você enxerga com clareza a diferença entre bruto e líquido, o holerite deixa de ser um susto e vira uma ferramenta: dá para conferir o pagamento, entender benefícios, organizar o orçamento e até decidir melhor sobre vale-transporte, dependentes e ajustes financeiros do dia a dia.

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